
1 – CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Este anteprojeto é uma sugestão da Trade Mix. Ele deve ser utilizado como ponto de partida e orientação para profissionais envolvidos em Projetos de Praia e Turismo Acessíveis, relacionando premissas básicas que consideramos essenciais para o sucesso da iniciativa.
Vale destacar que todas as sugestões de layouts, equipamentos, imagens e sugestões baseiam-se em nossa experiência e pesquisas desde 2010. Aliamos a prática às diretrizes estratégicas do turismo inclusivo, incluindo referências internacionais como a ISO 21902:2022.
No entanto, estas sugestões não substituem as normas brasileiras aplicáveis. Projetos técnicos devem ser elaborados por profissionais habilitados. Portanto, cada praia acessível deve ser adaptada conforme os objetivos do cliente e as limitações do local. Conheça nossa linha de produtos para garantir a conformidade técnica.
2 – APRESENTAÇÃO
Um projeto de praia acessível deve garantir condições reais de uso e circulação para diferentes perfis de usuários. Isso inclui pessoas com deficiência permanente e aquelas com mobilidade reduzida temporária. Além disso, famílias com carrinhos de bebê e qualquer pessoa com limitação circunstancial se beneficiam dessas melhorias.
Este documento parte desse entendimento e propõe uma leitura prática sobre como estruturar uma praia acessível de forma funcional, considerando aspectos como fluxo de pessoas, continuidade de percurso, integração com serviços existentes e condições mínimas de operação. A experiência demonstra que soluções isoladas ou mal dimensionadas tendem a gerar baixa utilização, desgaste precoce dos equipamentos e, o pior, perda de credibilidade do projeto perante a comunidade e os turistas.
Importante reforçar: as recomendações contidas neste material devem ser interpretadas como ponto de partida, passível de adaptação conforme as características específicas de cada local, considerando fatores como tipologia da praia (marítima ou fluvial), infraestrutura existente no entorno, volume de usuários em alta e baixa temporada, condições ambientais (vento, maré, salinidade) e objetivos do gestor (público ou privado) e as normas vigentes.
3 – POR QUE A ACESSIBILIDADE MUDOU DE PAPEL NO TURISMO
Durante muito tempo, a acessibilidade foi tratada apenas como mais uma norma a ser cumprida, resultando em projetos mal planejados, estruturas subutilizadas e rotas interrompidas, como exemplos de projetos de praia acessível concebidos sem visão sistêmica. Praticamente um custo a ser absorvido.
Nos últimos anos, esse cenário começou a mudar radicalmente. A evolução do comportamento do turista reposicionou a acessibilidade como um elemento estratégico de desenvolvimento. Mais do que permitir o acesso, hoje consideramos a qualidade da experiência e a autonomia do usuário na praia acessível.
Referências como a ISO 21902 consolidam esse entendimento moderno. A norma trata a acessibilidade como parte de toda a jornada do visitante. Isso inclui a infraestrutura física, a comunicação e o atendimento. Ao planejar uma praia acessível, devemos olhar para a jornada completa do turista.

O tamanho real do mercado e o efeito multiplicador
Essa transição de abordagem está associada a uma mudança no perfil de demanda. A ideia de que a acessibilidade atende à um grupo restrito é um equívoco operacional. Segundo o IBGE, o Brasil possui mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida.
O dado que realmente altera a lógica de negócio na praia acessível é o coeficiente de acompanhamento. O usuário com mobilidade reduzida raramente viaja sozinho. Sua presença está associada à um grupo de 2 a 5 acompanhantes. Isso amplia o impacto econômico e modifica a ocupação do espaço.
Ademais, temos o crescimento da chamada “Economia Prateada”. O envelhecimento da população introduz um público com maior disponibilidade de tempo e capacidade de consumo. Destinos que investem em uma praia acessível estruturada tendem a ganhar competitividade de forma gradual e sustentável.
Referências como a ISO 21902 consolidam esse entendimento ao tratar a acessibilidade como parte de toda a jornada do visitante, desde o planejamento da viagem até a utilização efetiva dos espaços e serviços. Isso inclui não apenas infraestrutura física, mas também informação, comunicação, atendimento e organização do ambiente.
Investimento com visão de ciclo de vida e baixa manutenção
Um ponto relevante para o sucesso de uma praia acessível é a relação entre investimento e ciclo de vida da solução. Intervenções baseadas em materiais de baixa durabilidade ou sem histórico de desempenho tendem a gerar custos recorrentes. Exemplos comuns são os improvisos com bambu, ripas de madeira, placas plásticas ou EVA.
Intervenções baseadas em materiais de baixa durabilidade ou sem histórico e testes de desempenho, como bambu, ripas de madeira, placas plásticas, EVA e outros “improvisos”, tendem a gerar custos recorrentes de manutenção e substituição, comprometendo a sustentabilidade do projeto ao longo do tempo. Por outro lado, soluções concebidas com foco em longevidade operacional e simplicidade de manutenção tendem a apresentar melhor relação entre custo e benefício quando analisadas em horizonte mais amplo – como é o caso da Esteira Trade Mix Acessibilidade®, com vida útil projetada superior a 20 anos e mais de 15 anos de comprovação em campo (desde 2010).
Portanto, essa mudança de entendimento permite estruturar projetos mais consistentes e com maior taxa de utilização. Além disso, evita-se a recorrência de iniciativas bem-intencionadas que não se sustentam na prática devido à alta manutenção.
Acessibilidade como Elemento Estruturante na Areia
No caso específico das praias, essa mudança de abordagem é ainda mais relevante. Diferentemente de espaços urbanos, a faixa de areia apresenta características dinâmicas e variações constantes de terreno. Isso exige soluções que funcionem de forma contínua em condições reais de uso na praia acessível.
Nesse sentido, a acessibilidade deixa de ser um item complementar e passa a ser um elemento estruturante. A forma como o acesso é organizado influencia diretamente o tempo de permanência e o conforto dos usuários. Dessa forma, a engenharia de rota garante que a utilização do espaço seja efetiva para todos.
No ambiente litorâneo, a falta de integração cria pontos de ruptura na experiência. Esses problemas afetam pessoas com deficiência e qualquer usuário que dependa de estabilidade. Entre eles estão idosos, crianças e gestantes, que precisam de segurança para circular em uma praia acessível.
4 – PRINCIPAIS OBJETIVOS DO PROJETO TÉCNICO

A definição dos objetivos de uma praia acessível exige cuidado técnico. Muitos projetos fracassam por falta de clareza sobre o uso real. Este modelo parte do entendimento de que a acessibilidade é um sistema operacional do espaço, exigindo consistência técnica em cada etapa.
O primeiro objetivo é organizar o fluxo de utilização da praia, reduzindo pontos de conflito e melhorando a distribuição dos usuários no espaço. A ausência de planejamento nesse aspecto tende a gerar concentração em áreas específicas e limitações operacionais, especialmente em períodos de maior demanda. A estruturação de rotas acessíveis contínuas, com suporte de soluções como a Esteira Trade Mix Acessibilidade®, contribui diretamente para a previsibilidade e a fluidez desse fluxo.
O outro objetivo central é assegurar a integração da acessibilidade com a infraestrutura existente, evitando que o projeto funcione de forma isolada. A efetividade da acessibilidade depende da conexão entre diferentes elementos, como acessos urbanos, áreas de estacionamento, sanitários, pontos de apoio, serviços de alimentação e zonas de lazer. Quando esses elementos não estão conectados por percursos utilizáveis, o projeto perde funcionalidade, ainda que existam soluções pontuais implantadas.
Viabilidade e Consistência Técnica: a acessibilidade como geradora de valor
A viabilidade operacional de uma praia acessível busca ampliar o perfil de público atendido, aumentando o tempo de permanência e o consumo no destino. Uma acessibilidade bem estruturada não se restringe à um grupo, mas acolhe idosos, gestantes e famílias. Além disso, o projeto assegura a racionalidade do investimento ao considerar o ciclo de vida e a manutenção dos equipamentos. Gestores que optam por soluções de alta durabilidade garantem recursos previsíveis e evitam custos recorrentes com substituições precoces.
Do ponto de vista técnico, estabelecer critérios de desempenho é vital para a segurança em uma praia acessível. Variáveis como estabilidade, resistência ao uso contínuo e aderência em superfícies molhadas são determinantes em ambientes costeiros. Nesse sentido, a escolha de tecnologias com histórico comprovado reduz incertezas operacionais, como a Esteira Trade Mix Acessibilidade®.
Esses objetivos seguem a abordagem contemporânea da ISO 21902:2022 e da NBR 9050. Portanto, este material serve como um instrumento orientativo para a tomada de decisão, evitando falhas comuns como rotas interrompidas ou materiais sem procedência técnica. Ao equilibrar eficiência e qualidade, a praia acessível deixa de ser vista como um custo isolado. Ela passa a ser compreendida como um componente estruturante e lucrativo do produto turístico moderno, garantindo autonomia e conforto para todos os usuários do espaço público.
5. PREMISSAS PARA UM BOM PROJETO: OS 10 MANDAMENTOS DA PRAIA ACESSÍVEL
Para merecerem a designação de praias acessíveis, segundo nossa visão construída ao longo de mais de 15 anos de experiência em projetos no litoral brasileiro, é preciso satisfazer um conjunto de requisitos. Alguns são imperativos, outros são desejáveis. A experiência demonstra que a omissão de qualquer um deles compromete o funcionamento do projeto como um sistema, gerando pontos de ruptura na experiência do usuário.
Os itens abaixo foram atualizados com base na ISO 21902:2022 (Turismo Acessível para Todos) e na NBR 9050, mas, acima de tudo, refletem o que a prática mostrou ser indispensável para que uma praia seja, de fato, utilizável por pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, idosos, famílias com crianças pequenas e qualquer pessoa com limitação circunstancial.
- Todas as imagens deste item 5 são criadas por IA e são meramente ilustrativas.
1. Transporte e estacionamento
O turista com deficiência precisa chegar à praia. Isso exige transporte público acessível ao local (ônibus com piso baixo e rampas) e estacionamento ordenado próximo ao acesso principal, com vagas reservadas nas dimensões corretas conforme a NBR 9050. A ISO 21902, estabelece que os serviços de transporte devem permitir embarque e desembarque seguros, além de acesso a conexões com outros meios de transporte. Sem essa primeira camada, todo o restante do projeto perde sentido.

2. Acesso à praia
Calçadas e rampas de acesso devem ser corretamente dimensionadas, com corrimãos e proteções onde necessários, e inexistência de barreiras arquitetônicas ou paisagísticas. A ISO 21902 recomenda que os percursos pedestres sejam contínuos, com superfície estável, antiderrapante e livre de obstáculos. O acesso é o momento de transição entre o espaço urbano e a faixa de areia – se ele falha, o usuário nem chega a experimentar o resto do projeto.
3. Pessoal treinado
De nada adianta a infraestrutura física se a equipe não souber acolher. É fundamental treinar especificamente os colaboradores para atender pessoas com deficiência – incluindo as chamadas deficiências invisíveis, como autismo ou deficiência intelectual – além de designar um responsável pela gestão do projeto. A ISO 21902 é clara: todos os colaboradores, com base em suas funções, devem ter formação para apoiar e acolher todos os turistas com igual atenção, respeito e apoio. O treinamento transforma uma estrutura tecnicamente correta em uma experiência efetivamente acolhedora.

4. Segurança
O posto salva-vidas deve ser acessível (com rota de acesso), e o serviço de primeiros socorros precisa estar sinalizado e acessível. É essencial também garantir a inexistência de conflito no uso dos espaços públicos da areia. A ISO 21902 acrescenta que os planos de evacuação e emergência devem considerar pessoas com deficiência, incluindo comunicação alternativa em situações de risco. Segurança não é um item opcional – é condição para que o projeto seja autorizado e sustentável.

5. Informação e sinalização
Todos os espaços devem conter informações em formatos alternativos: visual (letras grandes, alto contraste), tátil (braile) e sonoro (QR codes com áudio). A ISO 21902 estabelece que a informação deve ser clara, concisa, atualizada, confiável, gratuita e disponível em múltiplos formatos. A sinalização é o que torna o espaço inteligível para quem não enxerga, não ouve ou tem dificuldade cognitiva. Sem ela, o usuário se sente perdido e dependente.

6. Apoio e estar
Sanitários públicos adaptados e acessíveis (com espaço de manobra para cadeira de rodas) são obrigatórios. Também são necessárias áreas de apoio cobertas e descobertas para transferência para cadeiras anfíbias, bate-papo e prática de esportes, além de uma área para estacionamento de cadeiras e guarda de equipamentos. A ISO 21902 recomenda zonas de descanso sombreadas com mobiliário universal. A área de apoio é onde o usuário permanece a maior parte do tempo – negligenciá-la é negligenciar a própria razão de ser do projeto.

7. Rota acessível na areia
Este é, na prática, o ponto central de qualquer projeto de praia acessível e também o que apresenta maior complexidade técnica. Diferentemente de superfícies urbanas, a faixa de areia é dinâmica, com variações constantes de terreno, umidade e densidade. É preciso haver rotas acessíveis com superfície estável, antiderrapante (especialmente quando molhada) e reversível para acesso às tendas e área de estar, à zona de banho, aos sanitários e primeiros socorros, aos bares e restaurantes e à área de esportes.
A ISO 21902 exige que as superfícies de piso tenham alta aderência, sejam estáveis, não deformem com o uso e permitam manobra de cadeiras de rodas. A experiência de mais de 15 anos em praias brasileiras demonstra que soluções modulares e reversíveis, como a Esteira Trade Mix Acessibilidade®, atendem a esses requisitos de forma consistente, com vida útil projetada superior a 20 anos e instalação que não agride a areia nem interfere na dinâmica natural da praia.
8. Esportes e lazer
Brinquedos adaptados, cadeiras anfíbias, tendas e guarda-sóis acessíveis, além de uma área para prática de esportes com piso adequado. A ISO 21902 acrescenta que atividades de aventura devem comunicar previamente os riscos e fornecer instruções de segurança em formato acessível. O lazer é a razão de ser da praia – se ele não for acessível, o projeto falha em seu propósito mais elementar.

9. Higiene e meio ambiente
Chuveiro ou mangueira de água doce para limpeza de equipamentos e banho pós-praia, lixeiras seletivas ou sacos plásticos com orientações sobre descarte de lixo. A ISO 21902 reforça que intervenções em áreas naturais devem respeitar o meio ambiente e ser reversíveis sempre que possível. A higiene não é apenas uma questão de conforto – é uma condição para que o equipamento (cadeiras anfíbias, esteiras trade mix acessibilidade, tendas e outros) tenha vida útil prolongada e para que a experiência do usuário não termine com desconforto.
10. Alimentação
Rotas acessíveis a bares e restaurantes, mobiliário adaptado (altura de mesas para cadeira de rodas), cardápios em formato acessível (braile, letra ampliada, QR code com áudio) e fonte de água potável devidamente protegida. A ISO 21902 determina que a informação sobre alimentos e bebidas deve estar disponível em formatos alternativos. A alimentação é um dos principais motores de permanência e consumo na praia – ignorar sua acessibilidade é deixar dinheiro na mesa.

6. FALHAS MAIS COMUNS E SUAS CONSEQUÊNCIAS
Ao longo de mais de 15 anos visitando projetos em todo o Brasil, identificamos padrões de erro que se repetem com insistência. O mais surpreendente é que essas falhas não ocorrem por falta de investimento ou por má vontade – ocorrem, na maioria dos casos, por falta de clareza sobre o que precisa funcionar no uso real.
Projetos concebidos sem uma visão sistêmica tendem a tratar a acessibilidade como um checklist de itens isolados: uma rampa aqui, uma esteira ali, uma vaga de estacionamento acolá. O resultado, quase sempre, é um conjunto de soluções tecnicamente corretas no papel, mas que não se conectam entre si, gerando pontos de ruptura na experiência do usuário.
Abaixo, listamos as três falhas mais recorrentes, suas consequências práticas e como evitá-las com base no que a prática demonstrou funcionar.
Falha 1: o projeto contempla apenas uma via no acesso principal
Consequência: “Engarrafamento” de pessoas e cadeiras de rodas, filas, impossibilidade de uso simultâneo de mão e contramão. Em dias de alta temporada, o acesso se torna um gargalo que compromete toda a experiência.
Solução: Embora a ISO 21902 e a NBR 9050 estabeleçam 1,50m como largura mínima para fluxos bidirecionais, a prática em terrenos arenosos e instáveis exige uma abordagem mais realista. Em superfícies rígidas como o concreto/piso cimentado, toda a largura de 1,50m é útil, mas na areia (principalmente nas médias e nas fofas) as bordas das esteiras de acessibilidade são naturalmente instáveis. Se duas cadeiras tentam se cruzar em um espaço limitado, o risco de uma das rodas “escapar” para a areia fofa e causar um tombamento deve ser considerado. Na prática, isso significa planejar o acesso considerando o pico de demanda, não a média.
Para resolver isso, a recomendação é a criação de uma rota com duas pistas paralelas de 1,20m ou 1,40m ou, uma alternativa técnica extremamente eficiente, aproveitando a versatilidade do material, é utilizar a esteira de 1,40m na rota principal e instalar áreas de ultrapassagem em intervalos regulares (conforme a NBR9050, a cada 50 metros. Porém, na prática, recomendamos 10 a 20m, dependendo do fluxo de pessoas).
Como a esteira permite cortes fáceis e precisos, pode-se posicionar módulos adicionais (ex: 2m x 1,40m) em paralelo à via principal nesses pontos críticos, com sobreposição lateral seguindo o manual. Essa configuração cria “bolsões de manobra” que garantem que cada cadeirante se mantenha centralizado na esteira, longe das bordas, permitindo o cruzamento seguro sem interrupção do fluxo. Ao adotar essa estratégia, você entrega uma acessibilidade que supera os números teóricos das normas, priorizando a estabilidade real e a logística de movimentação no ambiente de praia.

Falha 2: o projeto foca apenas no banho de mar e não contempla área de apoio e estar
Consequência: Esta é, de longe, a falha mais comum e a que mais prejudica a experiência do usuário. Nossa experiência e pesquisas mostram que apenas uns 10% dos usuários com deficiência ou mobilidade reduzida entram no mar. Após todo o esforço para chegar à praia – transporte, estacionamento, rampa de acesso etc. – a cadeira de rodas não tem para onde ir além da esteira principal. Sem área de apoio, o usuário fica ilhado na esteira, sem sombra, sem mobiliário, sem possibilidade de socialização. A grande maioria quer lazer na areia, socialização, sombra, bate-papo, áreas de apoio e alimentação. Um projeto focado só no mar é um projeto deficiente, que subutiliza o investimento, atende mal a maioria dos usuários e resume a experiência em “chegar, olhar o mar, voltar e bye“.
Solução: A ISO 21902 corrige esse desequilíbrio ao exigir que a praia acessível inclua zonas de descanso, percursos até serviços e áreas de estar. O projeto deve ser pensado principalmente para o usuário que permanece na areia, não apenas para o que entra no mar. O percurso deve ser contínuo e sem interrupções do estacionamento até a zona de banho e serviços. Isso significa que a Esteira Trade Mix Acessibilidade® não pode terminar próximo da água – ela precisa se ramificar para todos os pontos de interesse e sob as tendas/áreas de socialização.
Falha 3: local inadequado para implantação
Consequência: A infraestrutura do entorno – transportes, estacionamento, sanitários, bares – precisa ser acessível. Não adianta a praia ser tecnicamente perfeita se o turista com deficiência não consegue chegar, estacionar, usar o banheiro ou comer em um quiosque. O projeto se torna uma “ilha de acessibilidade” em um mar de barreiras. Não adianta colocar uma rota acessível numa praia com visibilidade – principalmente política – se o entorno é quase “um deserto”.
Solução: A ISO 21902 estabelece que a acessibilidade deve ser integrada à cadeia de valor do destino. Antes de planejar a esteira na areia, é preciso mapear todo o trajeto do usuário, desde o ponto de ônibus até o bordo da água, e eliminar as barreiras em cada etapa.
7. CONCLUSÃO: ACESSIBILIDADE COMO SISTEMA OPERACIONAL

Este documento organiza premissas baseadas em 15 anos de experiência prática e pesquisas em projetos de praia acessível no Brasil e no mundo. Mais do que um manual, este instrumento orientativo traduz o que realmente funciona para gestores e profissionais do setor. A ideia central é clara: a acessibilidade não é um checklist de itens isolados, mas um sistema operacional integrado. Quando rampas ou esteiras são instaladas de forma fragmentada, geram rupturas que invalidam a experiência do usuário.
Pontos de ruptura, como a falta de sombra ou sanitários distantes, transformam projetos em estruturas subutilizadas. O usuário com mobilidade reduzida avalia a praia acessível pelo uso real e contínuo, não pelo que está no papel. Nesse cenário, a ISO 21902:2022 deixa de ser burocracia para se tornar um ativo estratégico. Destinos que estruturam a acessibilidade de forma sistêmica atraem turistas com maior ticket médio e fidelidade, transformando inclusão em vantagem competitiva.
No ambiente litorâneo, o maior desafio técnico de uma praia acessível é a engenharia de rota sobre a areia. Por ser um terreno dinâmico, a escolha de materiais deve considerar estabilidade, resistência à corrosão e reversibilidade, entre outros. A Esteira Trade Mix Acessibilidade® destaca-se como uma solução modular consolidada, com vida útil superior a 20 anos e histórico comprovado em diversas condições ambientais.
Por fim, ressaltamos que estas sugestões não substituem os projetos técnicos habilitados nem as normas da NBR 9050. Cada praia acessível possui particularidades que exigem adaptações específicas. Este documento é um ponto de partida para uma abordagem mais criteriosa e integrada. Afinal, uma praia acessível de verdade garante que todos possam chegar, circular e socializar com autonomia, conforto e segurança.
8. REFERÊNCIAS
IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019: pessoas com deficiência. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9160-pesquisa-nacional-de-saude.html. Acesso em: 15 abr. 2026.
ISO. ISO 21902:2021 – Tourism and related services – Accessible tourism for all. Geneva: International Organization for Standardization, 2021. Disponível em: https://www.iso.org/standard/71986.html. Acesso em: 15 abr. 2026.
MINISTÉRIO DO TURISMO (Brasil). Perfil do turista com deficiência. Brasília: MTur, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/turismo/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas-projetos-acoes-obras-e-atividades/turismo-responsavel/MTURPRODUTO2Perfildoturistacomdeficincia_compressed.pdf. Acesso em: 15 abr. 2026.
OMS. Relatório Mundial sobre Deficiência 2023. Genebra: Organização Mundial da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/disability. Acesso em: 15 abr. 2026.
TURISMO DE PORTUGAL; IPQ – INSTITUTO PORTUGUÊS DA QUALIDADE; ACCESSIBLE PORTUGAL. NP ISO 21902:2022 – Guia Interpretativo: Turismo Acessível para Todos. Lisboa: Turismo de Portugal, 2025. Disponível em: https://www.turismodeportugal.pt. Acesso em: 15 abr. 2026.
